
Universidade Federal de Santa catarina (UFSC)
Programa de Pós-graduação em Engenharia, Gestão e Mídia do Conhecimento (PPGEGC)
Detalhes do Documento Analisado
Centro: Filosofia e Ciências Humanas
Departamento: Sociologia e Ciência Política/SPO
Dimensão Institucional: Pesquisa
Dimensão ODS: Institucional
Tipo do Documento: Projeto de Pesquisa
Título: ASSÉDIO MORAL: UMA TRADUÇÃO PARA A SOCIOLOGIA DO TRABALHO
Coordenador
- IRALDO ALBERTO ALVES MATIAS
Participante
- IRALDO ALBERTO ALVES MATIAS (D)
Conteúdo
Este projeto se propõe a investigar um dos maio...este projeto se propõe a investigar um dos maiores problemas do mundo do trabalho contemporâneo - o “assédio moral”. os números que expressam o avanço do chamado “assédio moral” são alarmantes. hirigoyen (2012, p.78) apresenta dados das pesquisas do psiquiatra alemão heinz leymann, do final da década de 1980, que apontavam que 3,5% dos trabalhadores suecos foram vítimas de assédio e cerca de 15% dos suicídios realizados naquele país tinham relação com essa forma de violência laboral. lembrando que estamos falando de um país com altíssimos índices de desenvolvimento social e reconhecido como exemplo de estado de bem-estar social, para usar critérios descritivos capitalistas. piñuel y zabala (2003) apresenta dados sobre uma pesquisa nos eua que aponta um número de 25% de trabalhadores que haviam sofrido ou ainda sofriam assédio no ambiente laboral, na década de 1990. além de uma pesquisa da universidade de manchester, onde se estimava “(...) que as perdas anuais causadas pelo assédio psicológico na indústria britânica giravam em torno de 18,9 milhões de jornadas de trabalho perdidas” (2003, p.52), assim como nas empresas alemãs o prejuízo se dava na casa dos 100 milhões de marcos, na mesma época.
o ´"assédio moral" é um tema de pesquisa hegemonizado pela área da psicologia, dando ênfase aos aspectos intersubjetivos tanto ao nível do indivíduo, como ao nível organizacional. as pesquisas nesse campo também têm subsidiado o desenvolvimento do tema na área jurídica acadêmica e prática, fazendo avançar a legislação que busca responsabilizar e punir aqueles que praticam esse ato de violência no trabalho. nas décadas de 1970 e 1980 surgiram os primeiros trabalhos a respeito do assédio em sua expressão moderna, no campo da psiquiatria (soares, 2012; soares e oliveira, 2012). mas, somente na década de 1990 o conceito se popularizou, devido aos icônicos estudos da psiquiatra francesa marie-france hirigoyen (2012; 2014). desde então, é notória a hegemonia das abordagens psicológicas que enfatizam os aspectos intersubjetivos, neste campo de pesquisa. suas principais contribuições práticas têm sido no sentido de mapeamento social do problema, na realização de inúmeros estudos de caso, no acolhimento clínico das vítimas de violência psicológica no trabalho (seligmann-silva, 2011), bem como no apoio ao desenvolvimento de políticas de prevenção, e também na pressão exercida sobre o campo jurídico no sentido de incorporar o problema na legislação trabalhista enquanto forma de violência laboral, em diferentes países.
apesar da importância e dos avanços conquistados por esses estudos, nota-se uma lacuna nessas investigações acerca das relações deste fenômeno com o antagonismo entre trabalho e capital. neste sentido, pretende-se analisar o "assédio moral" para além das abordagens psicologizantes, ou mesmo moralizantes, que conduzem o problema para a esfera da ética. tem-se como hipótese, de que o chamado "assédio moral" é uma forma de violência no trabalho específica das relações sociais de produção capitalistas, principalmente em sua fase toyotista, em que a componente cognitiva e emocional do trabalho foi subordinada ao processo de valorização do capital. trata-se de um período em que surgem novas psicopatologias ligadas ao mundo do trabalho, decorrente das transformações produtivas e organizacionais em que predominam a exacerbação do individualismo e da concorrência, incentivadas por ideologias empreendedoristas e gerencialistas.
tomando-se como enfoque analítico o materialismo histórico e dialético, que estabelece as relações entre práticas sociais contraditórias, lutas sociais e formas de consciência, realizou-se ampla revisão bibliográfica teórica e de estudos de casos, no sentido de apresentar uma interpretação diversa para o fenômeno do assédio. partiu-se da hipótese de que o “assédio moral" é uma forma de violência de classe exercida na organização do trabalho contra a subjetividade do proletariado, específica das relações sociais de produção capitalistas, especialmente em sua fase toyotista. trata-se de uma forma de dominação de classe, como momento inseparável do processo de exploração e controle do capital sobre o trabalho. mesmo com o desenvolvimento de estudos organizacionais críticos acerca do fenômeno, que assumem abertamente a relação entre assédio e os sistemas de organização e gestão capitalista do trabalho, no nosso entendimento, o problema da violência psicológica laboral não é tratada diretamente como expressão subjetiva do antagonismo de classes: a extração da mais-valia relativa, combinada com a chamada ideologia gerencialista, expressa neste estudo a atividade prático-teórica, não de uma mera “categoria profissional”, mas de uma classe social capitalista específica – a classe dos gestores (pannekoek, 1977; bernardo, 1977; 2009).
Índice de Shannon: 3.67221
Índice de Gini: 0.900217
ODS 1 | ODS 2 | ODS 3 | ODS 4 | ODS 5 | ODS 6 | ODS 7 | ODS 8 | ODS 9 | ODS 10 | ODS 11 | ODS 12 | ODS 13 | ODS 14 | ODS 15 | ODS 16 |
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4,32% | 3,66% | 3,47% | 4,58% | 16,12% | 3,23% | 2,76% | 11,01% | 5,18% | 5,11% | 4,48% | 3,79% | 3,07% | 4,52% | 4,88% | 19,81% |
ODS Predominates


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