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Universidade Federal de Santa catarina (UFSC)
Programa de Pós-graduação em Engenharia, Gestão e Mídia do Conhecimento (PPGEGC)
Detalhes do Documento Analisado

Centro: Não Informado

Departamento: Não Informado

Dimensão Institucional: Pós-Graduação

Dimensão ODS: Social

Tipo do Documento: Tese

Título: EFEITO PARADOXAL DA BRADICININA NA ENDOTOXEMIA: DO CLÁSSICO EFEITO VASODILATADOR AO INESPERADO EFEITO VASOCONSTRITOR POR HETERODIMERIZAÇÃO DOS RECEPTORES AT1 DA ANGIOTENSINA II E B2 DA BRADICININA

Orientador
  • JOSE EDUARDO DA SILVA SANTOS
Aluno
  • ELAINE LEOCADIA ANTON

Conteúdo

O sistema calicreína-cininas (scc) é constituído por substâncias bioativas, tendo a bradicinina como componente principal. a bradicinina, após ativar seus receptores b1 e b2, apresenta uma variedade de efeitos biológicos, incluindo o seu clássico efeito vasodilatador. na sepse e endotoxemia ocorre uma intensa ativação da via plasmática do scc, levando a uma produção aumentada de bradicinina. no entanto, a compreensão do envolvimento e da importância da bradicinina nestas condições permanece pouco conhecida. o sistema renina angiotensina (sra) classicamente é descrito como um regulador da pressão arterial e da homeostase de eletrólitos e, tem como principal efetor, a angiotensina ii, que através da ativação do receptor at1 promove efeito de vasoconstrição. a ativação do sra e liberação da angiotensina ii durante a endotoxemia é bem estabelecida em resposta à produção aumentada de óxido nítrico e à perda da resistência vascular periférica. os scc e sra com suas funções contra-regulatórias funcionam em equilíbrio promovendo uma homeostase cardiovascular. estes sistemas apresentam múltiplos níveis de interação, incluindo a formação de heterodímeros entre os receptores b2 e at1, inclusive em condições patológicas. tendo em vista que já foi demonstrado que a bradicinina pode induzir vasoconstrição em vasos selecionados ou, em condições experimentais específicas, o presente estudo investigou se estímulos inflamatórios, como o desafio com endotoxinas, podem induzir a dimerização dos receptores at1/b2, alterando os efeitos vasculares da bradicinina. para isso, foram utilizados ratos fêmeas e machos wistar que receberam uma dose baixa de lipopolissacarídeo (lps, 1 mg/kg, i.p.) ou salina estéril (pbs, 1ml/kg, i.p.; grupo controle), e que foram anestesiados para avaliação da pressão arterial e dos efeitos cardiovasculares da bradicinina e da acetilcolina administradas pela via intravenosa, sendo avaliados em 6, 24, 48 ou 72 horas após a administração de lps ou pbs. tanto a pressão arterial média basal, frequência cardíaca basal, quanto os efeitos hipotensivos induzidos pela bradicinina e acetilcolina permaneceram inalterados nos grupos lps, em comparação com o grupo controle. no entanto, nos tempos de 24 e 48 horas após o desafio com o lps, a hipotensão induzida pela bradicinina foi acompanhada por um aumento sustentado da pressão arterial, que não foi encontrado em animais não endotoxêmicos. a partir destes resultados preliminares, passou-se a utilizar apenas o grupo lps 24 h, o qual apresentou evidências hematológicas e bioquímicas de inflamação sistêmica. no grupo lps 24 h, o antagonista do receptor b2 hoe-140 bloqueou totalmente as respostas vasculares à bradicinina, mas não o antagonista do receptor b1 des-arg9-[leu8]-bradicinina, mesmo quando administrado pela via intra-arterial, onde o efeito pressor da bradicinina foi potencializado. o efeito pressórico da bradicinina não foi prevenido pela prazosina, um antagonista dos receptores alfa-1 adrenérgicos, bem como pela indometacina, um inibidor de ciclooxigenases, mas foi inibida pelo antagonista do receptor at1, losartana, ou pelo inibidor da rho-a/rho cinase, y-27632. a administração de doses submáximas de hoe-140 e losartana foi incapaz de impedir o efeito pressor da bradicinina, quando administradas isoladamente. no entanto, quando os dois antagonistas foram associados em um mesmo animal desafiado com lps, o efeito hipertensivo da bradicinina foi abolido. os animais endotoxêmicos também tiveram respostas pressoras aumentadas para a angiotensina ii, que foram bloqueadas pelo hoe-140. ainda através de experimentos in vivo, não foi evidenciado o envolvimento da microvasculatura renal e do músculo cardíaco no efeito bifásico da bradicinina em animais endotoxêmicos. em adição, foi realizada uma série de experimentos ex vivo, nos quais foi observada resposta contrátil da bradicinina e hiper-reatividade à angiotensina ii em leito vascular mesentérico perfundido e em artérias mesentéricas de resistência de animais lps 24 h, nas quais a resposta contrátil à bradicinina foi sensível a losartana e a potencialização da contração induzida pela angiotensina ii, foi impedida pelo hoe-140. ainda foi evidenciado que apesar de os efeitos pressores e contráteis à bradicinina não serem influenciados pela indometacina, a inibição seletiva da ciclooxigenase 2 em artérias mesentéricas resultou em respostas contráteis aumentadas à bradicinina. a avaliação por imunoeletroforese demonstrou que artérias mesentéricas de resistência (mas não a aorta, uma artéria de condutância) de ratos endotoxêmicos apresentaram níveis aumentados dos receptores b2 e at1, bem como da subunidade regulatória da fosfatase de cadeia leve da miosina (mypt1) em sua forma fosforilada. por fim, a avaliação de imunoprecipitados isolados de homogenatos de artérias mesentéricas de resistência, usando anticorpos anti-b2 ou anti-at1, mostraram níveis aumentados do complexo de receptores at1/b2, em amostras do grupo lps 24 h. em conjunto, os resultados do presente estudo fornecem evidências que o desafio com endotoxina é um estímulo para a heterodimerização dos receptores at1/b2 em artérias mesentéricas de resistência, o que desloca o efeito vascular dependente do receptor b2 da bradicinina para uma via mais complexa, que também depende dos receptores at1 e da via da rock, culminando com efeito vasoconstritor potencializado da angiotensina ii.

Índice de Shannon: 3.94797

Índice de Gini: 0.932302

ODS 1 ODS 2 ODS 3 ODS 4 ODS 5 ODS 6 ODS 7 ODS 8 ODS 9 ODS 10 ODS 11 ODS 12 ODS 13 ODS 14 ODS 15 ODS 16
5,39% 6,73% 12,26% 5,18% 6,77% 4,92% 5,20% 7,57% 5,99% 6,60% 5,50% 5,49% 4,05% 6,88% 4,81% 6,66%
ODS Predominates
ODS 3
ODS 1

5,39%

ODS 2

6,73%

ODS 3

12,26%

ODS 4

5,18%

ODS 5

6,77%

ODS 6

4,92%

ODS 7

5,20%

ODS 8

7,57%

ODS 9

5,99%

ODS 10

6,60%

ODS 11

5,50%

ODS 12

5,49%

ODS 13

4,05%

ODS 14

6,88%

ODS 15

4,81%

ODS 16

6,66%